Imitation of Life #6 - As coisas difíceis de dizer...
Postado por Sigurd.
Olá amigos! Bem-vindos à sexta edição da minha crónica aqui no 'Leite' depois de uma longa ausência... Sentiram saudades minhas? Não? É pena...

Hoje estou aqui para vos falar de algo que me tem atormentado ao longo de toda a minha vida. Estou certo que convosco é igual... Refiro-me àquelas coisas que temos na ponta da língua, andamos anos com intenção de as dizer a alguém, mas quando chega a hora da verdade a língua prende-se e decidimos adiar mais uma vez. Por vezes estamos anos para 'deitar cá para fora' mas bloqueamos sempre e arrastamos durante séculos algo que, muitas vezes é inevitável mas que nos esforçamos para que se torne evitável...

Um dos exemplos disso é quando temos de dizer alguém que fizemos asneira porque preferimos que se saiba da nossa boca do que por outras bocas. A minha infância/adolescência é rica em casos deste tipo. Tinha um comportamento digamos que 'difícil' na escola, onde era colega do Rider que também se portava 'muito bem', e algumas vezes fui expulso de aulas com participação ao DT. Ora, isso iria chegar de certeza aos ouvidos dos meus pais e eu tinha mesmo de lhes dizer... Nunca lhes disse e sofri as consequências quando eles iam às reuniões ou eram convocados de propósito para receberem queixas a meu respeito...

Outro dos exemplos é quando sabemos de algo a respeito de um amigo que jurámos a alguém não lhe contar mas que, como o amigo em questão merece toda a nossa lealdade, temos a obrigação moral de lhe contar o que sabemos. Define-se na nossa mente um dilema e quem sofre com isso muitas vezes somos nós. A mim uma vez disseram-me que o Rider tinha sido raptado pelos pais em Moçambique e que os pais biológicos dele não são os que o registaram. Na verdade o Rider nasceu do cruzamento entre um gorila homossexual e uma zebra que tinha a mania que era o garanhão da manada... Nunca lhe consegui contar...

No entanto as coisas mais difíceis de dizer que já tive na minha vida prendem-se com o chamado 'mal de amores'. Custa-me tanto falar que neste momento arrasto-me para terminar este post... Não sei bem o que nos impede muitas vezes de falar abertamente com alguém sobre amor. Não sei se é o medo da reacção se o medo de nós próprios... Provavelmente são os dois... Então quando do outro lado está a pessoa 'em questão' o bloqueio é ainda maior. Neste momento isto está novamente a acontecer comigo e vou aproveitar para falar aqui sobre o assunto por dois motivos: pela certeza que 99% das pessoas que sei que estão a ler isto não me conhecem de lado algum e pela esperança de que a pessoa a que gostaria que a mensagem chegasse esteja a dar uma olhada neste post... Se isso acontecesse gostava apenas de dizer o seguinte: 'Bolas pah, é verdade! Eu gosto mesmo de ti! Não sei se é bom se é mau mas é isso que sinto! Tinhas mesmo de estar longe e de me afogar diariamente em saudades do simples facto de olhar para ti, ouvir a tua voz, brincar contigo e sentir o conforto de respirar o mesmo ar que tu! '

Está dito...



A la prochaine
Sigurd

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Blogger Last Rider Disse...
Pois, ainda bem que trazes este tema ao blog, porque também precisava de te contar uma coisa... Lembras-te daquele exame rectal que nós te dissemos que tinhas de fazer, para prevenir o cancro da próstata? Lembras-te também de o teres ido imediatamente fazer porque, e passo a citar, "preferias ter dois dedos enfiados no cu do que um cancro"? Pois bem, está na altura de te contar a verdade. E a verdade às vezes pode doer, portanto aqui vai, rápida e indolor: O CARLOS CASTRO AFINAL É HETEROSSEXUAL!

Eu sei, eu sei... Respira, eu também fiquei chocado.

Agora estão-me a dar indicação de que se aproxima a parte séria do comentário: eu posso falar por mim, era uma pessoa extremamente tímida e introvertida em relação àquilo que sentia, de modo que muito raramente partilhava com alguém aquilo que se passava dentro de mim. Hoje em dia as coisas não são bem assim, foram precisos dois anos de faculdade e umas quantas noites a dormir ao relento e com uma taxa de alcoolémia tão grande que até era capaz de ser multado só por andar a pé, para perceber que não tinha nada a ganhar com isso. Acho que as pessoas devem deitar cá para fora aquilo que sentem, por bom ou mau que seja, independentemente das reacções que aquilo possa desencadear na outra pessoa. É extremamente aliviante para nós e, normalmente, aos olhos da outra pessoa, acabamos por ganhar um certo encanto só pelo simples facto de termos tido a coragem de o fazer.

Quanto a ti, se não estiver equivocado, acho que isso já é um problema crónico que tens de resolver rapidamente. Pode custar e ser difícil, mas não vais querer viver a tua vida na sombra desse problema. Isso só te vai arrastar para baixo, a sério.
19 de Setembro de 2009 16:39  
Blogger Sigurd Disse...
Pois...O problema é mesmo que estás equivocado... Esse problema de que falas já se foi há muito... e ainda bem!!!
29 de Setembro de 2009 21:36